O jornal "FAZENDO" vai FAZER 1 ano. Parabéns aos seus criadores, colaboradores, impulsionadores e outros ores que contribuam, ou tenham contribuido para a publicação desta «agenda cultural faialense».Entre tantas coisas que poderia dizer sobre o "FAZENDO" aquela que mais me marca é a improbabilidade da sua existência. Vejamos:
Faial, uma ilha com cerca de 15.000 habitantes, 1 Concelho, 1 empresa municipal de "organização" de eventos culturais e gestão de espaços lúdicos, 3 ourivesarias, 0 (zero) livrarias, 0 (zero) lojas de discos, diversas associações culturais e artísticas com muita vontade e muito pouco dinheiro.
Faial, uma ilha onde tantas vozes se queixam "ter sido esquecida pelo governo", de "estar parada no tempo", de "não acontecer nada", etc, etc, etc.
Faial, uma ilha onde os interesses dos partidos se misturam com o interesse público, onde os interesses pessoais se misturam com os interesses dos partidos, e por aí fora.
Neste contexto, na realidade tão igual ao de tantas outras cidades portuguesas, as probabilidades de surgir um boletim cultural com crónicas, críticas e artigos de tão elevada qualidade são escassas. As probabilidades desse boletim ser totalmente livre e independente de instituições culturais, sejam elas públicas ou privadas, são ainda mais escassas. As probabilidades desse boletim ser criado e gerido por um grupo de pessoas com muita vontade e de forma totalmente gratuita e desinteressada, reduzem-se praticamente a zero.
E no entanto o "FAZENDO" existe. E ainda bem.
Ao fim de 23 edições e 1 ano de existência o "FAZENDO" é a prova de que a vontade de FAZER algo com qualidade é mais forte que as vozes dos velhos do restelo.
Mas por muita qualidade e empenho das pessoas que gerem este projecto, o mesmo só é possível graças à incrivel quantidade de gente com actividades artísticas e culturais presentes nesta ilha, que desmentem aqueles que dizem que não há cultura no Faial.
A cultura no Faial está bem de saúde, e se não acredita, basta dar uma olhada à última página do "FAZENDO". Mas tudo o que é bom pode ser melhorado e estou convicto que a tendência será precisamente essa.
Para quem teve a paciência de ler este post até aqui, deverá ter reparado que este último parágrafo anula o segundo argumento para a improbabilidade da existência do "FAZENDO", mas mesmo existindo probabilidades ligeiramente maiores, as mesmas continuam a ser reduzidas.
Espero apenas que os "FAZEDORES" continuem a FAZER um bom trabalho e que continuem a existir razões para a existência do "FAZENDO".
Nota: A imagem deste post foi sacada do blog do "FAZENDO" e fez a capa da edição 16. Ao Pedro e ao Jácome os meus agradecimentos.

