terça-feira, 2 de dezembro de 2008

sobre imóveis degradados (-)

Tal como o imóvel desta imagem tirada junto ao Largo do Infante, existem na cidade da Horta dezenas de casas degradadas e a necessitar de recuperação. Muitos destes imóveis são edifícios de uma arquitectura notável, que corre o risco de desaparecer caso os mesmos acabem por ruir e sejam substituídos por novos edifícios de linguagem contemporânea. Pessoalmente não tenho nada contra a linguagem arquitectónica contemporânea, desde que bem feita, mas corre-se o risco de retirar à cidade a imagem arte nova que ganhou após a reconstrução do sismo de 1926.
O novo P.R.O.T.A. preconiza para a ilha do Faial um possível desenvolvimento urbano na direcção da freguesia dos Flamengos.
A questão que coloco é esta: será mesmo necessário ocupar terras incrivelmente férteis novas construções? Será que os fogos existentes na cidade não são suficientes para albergar a população que trabalha na mesma? Não faria mais sentido desenvolver políticas de fixação de pessoas na cidade reduzindo as necessidades de transporte diário entre habitação e trabalho? E já agora, será que não se podia tentar aproveitar esses terrenos entre as duas áreas urbanas para criar hortas urbanas comunitárias, para as pessoas que não têm um pedaço de terreno, por viverem em apartamentos, poderem produzir qualquer coisa aos fins-de-semana?
Isto é apenas uma pequena reflexão rápida, por isso agradecia a todos os visitantes deste blog que comentassem, critiquem, sugiram.

16 comentários:

Pseudocódigo disse...
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Grifo disse...

Não percebo? Defendes a destruição da casa para se fazerem hortas comunitárias?

Nuno Moniz disse...

Tanto se fala do IMI.
Eu cá, inocentemente, pensava que a majorante de 30% servia exactamente para desencorajar este tipo de abandono e degradação.
Será que ainda não chegaram à conclusão que certos imóveis estão abandonados/degradados? Será que a majorante do IMI está a ser aplicada?
Eu... Eu não sei.
Acredito que existe muita boa gente no Faial que gostava de comprar uma casa na cidade.
Este tipo de situações tornam-se inevitavelmente injustas e muito más para a imagem da Horta.

Cumprimentos!

geocrusoe disse...

Embora nao viva na cidade, sou daqueles que considera importante criar boas condicoes de vida aos habitantes no centro da Horta para permitir preservar as habitacoes ai existentes, mas sera que neste momento eh agradavel viver no centro da horta? o decaimento das moradias ai existentes nao estara relacionado com o facto de o centro da horta nao ser atractivo para se viver? dinamizar esta zona seria a melhor forma de atrair habitantes que consequentemente tentaria preservar a respectivas moradias...e como dinamizar consistentemente? (desculpem os acentos mas daqui onde estou tal nao eh possivel)

LB disse...

Apesar das ruínas e das casas abandonadas, não tenho dúvidas de que viver na cidade da Horta é um privilégio, ainda que os faialenses se esquecem de o aproveitar. Por muito que uma vivenda fora da cidade seja tentadora, pelas grandes áreas e bons terrenos, não há nada como sair de casa a pé e ter tudo ali ao alcance dos olhos, incluindo a vista para o canal e o clima mais ameno. Eu, que fui criada na baixa dessa cidade, sonho com o dia em que poderei voltar a ter uma casa antiga com o seu tradicional quintal. Mas os preços das ruínas insistem em ser demasiado altos. Nem nisso os faialenses conseguem perder a fama de "contrabandistas espertos"...

LB disse...

Quanto à fuga dos faialenses do centro da Horta, julgo não se dever à falta de prazer em lá viver, mas sim à procura intensa de casas com áreas gigantes, que todos sabemos serem mais fáceis e baratas de construir de raiz no campo do que no centro da cidade. Reconstruir dá muito trabalho e sorve muito dinheiro. Dinheiro que poucos têm, trabalho que quase ninguém quer...

geocrusoe disse...

Uma pergunta LB, sei que recuperar sorve muito dinheiro, mas comprar terrenos a preços exorbitantes em torno da Horta também sorve, gastar combustível para levar as compras ou ir ao trabalho também... qual a vantagem? se sentissem ser um privilégio sairiam? Eu detestaria viver com um parque de estacionamento entre a minha casa e a paisagem do pico.
Nem todas as casas da baixa vêem o pico mas sentem o ruído dos automóveis na calçada, isso não incomoda?

LB disse...

Quanto às vantagens de viver numa cidade pequena como a Horta, seja numa casa com vista ou sem vista, acho que são ainda muitas, sobretudo para quem trabalha na cidade: poupamos tempo precioso e combustível, mas também estamos menos isolados, temos mais mobilidade como peões, podemos ir à praia a pé ou de bicicleta, podemos sair à noite sem levar carro, estamos mais perto de todo o comércio e serviços que utilizamos no dia-a-dia, podemos ir almoçar a casa durante a semana. Enfim, temos os privilégios de viver na cidade sem os inconvenientes dos grandes centros urbanos. Para mim, é mais o do que suficiente. Mas acredito que haja quem dê mais valor às vantagens do campo, como a terra para cultivar, o barulho dos pássaros e dos galos ao amanhecer, o gado a pastar ali ao lado, ou até à piscina...

Pseudocódigo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
geocrusoe disse...

à lb
julgo que não percestes a ironia das minhas questões... ir viver em torno da horta não é viver no campo, eu vivo sim no campo, mas essa não era a questão.
o que estava em jogo era: quais as vantagens de deixar de viver no centro da horta para se ir viver na periferia com custos de terreno e transportes... apenas contrapus algumas desvantagens do centro da cidade e volto a perguntar...se aqueles aspectos seriam suficientes?

ao pseudocódigo
infelizmente, nas casas antigas a panóplia disponível de meios técnicos para minimizar o ruído não é suficiente. agora como recuperar e atrair as pessoas para o centro da horta, sobretudo jovens para estabelecer os residentes por maiores prazos é uma questão pertinente e soluções ou propostas precisam-se

Grifo disse...

era preciso saber porque é que as pessoas vão para o campo... e ver o que se pode fazer.

LB disse...

Geocrusoe, percebi o toque para a periferia... A única coisa que posso dizer, pelo que tenho visto e ouvido de muitos que fizeram essa travessia da cidade para a periferia, é que o dinheiro parece ser mesmo a razão fundamental da mudança, porque não podem pagar o "privilégio" de viver no centro da cidade com o mesmo "conforto (luxo)" que conseguem fora. E não estão disponíveis para abdicar desse "conforto (luxo)" em nome desse "privilégio". Mas sei de muitos que já se arrependeram...

Se o município estiver interessado, há formas de inverter a tendência. Algumas soluções: isenções nas licenças/impostos municipais para quem optar pela recuperação de imóveis antigos ou ruínas, criação de incentivos à fixação de jovens casais na cidade, criação de cooperativas de habitação para recuperação e gestão de imóveis em ruínas e até criação de incentivos para proprietários que vendam imóveis em ruínas. São apenas exemplos de coisas que funcionaram noutras cidades com problemas semelhantes e que podiam ser úteis na Horta. O problema é convencer a autarquia...

Ma-nao disse...

É aceite que uma forma de atrair jovens para morar no centro da cidade é oferecer-lhes vantagens - isenção do IMI, facilidades de crédito junto da banca, etc.
Isto é coisa que a Câmara da Horta, aparentemente, já faz para o arrendamento: se eu tiver 40, 50, 60 anos, não interessa, e arrendar os meus imóveis a jovens com menos de x (agora não sei se 25 se 30 anos), tenho benefícios fiscais. Muito bem.
Mas se esses jovens, em vez de alugar quiserem comprar - o que, como naturalmente se compreende, leva muito mais à sua "fixação" no centro da cidade do que o aluguer - então esses mesmos jovens não têm incentivos nem benefícios nenhuns.
?!?!
Alguém me explica esta lógica, sff?...

Pseudocódigo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nuno Moniz disse...

Vai ser complicado arranjar explicação para tal lógica Ma-nao!

Grifo disse...

Venho sugerir mais um tema: Moinhos degradados e recuperados...

Peguem e no tema se quiserem...